O presente programa propõe uma imersão nas múltiplas expressões da sensibilidade humana tal como representadas na música profana italiana dos séculos XVII e XVIII. O título inspira-se na interjeição italiana ohimè — equivalente a um lamento ou suspiro — frequentemente encontrada na poesia e na música vocal do período, evocando sentimentos de dor, saudade, surpresa ou amor desesperado.
Este programa procura explorar as diferentes emoções no louvor a Deus. O repertório que apresentamos é maioritariamente marcado por um tom de felicidade e de júbilo, para além de uma forte devoção à Virgem Maria. Como tal, procuramos levar ao público, através da junção de duas vozes e das diferentes texturas instrumentais, as diversas expressões que o louvor a Deus pode contemplar. A palavra “Pulchra”, que significa “belo”, será assim o nosso ponto de partida neste caminho de louvor, acompanhado pela beleza em todo o seu percurso.
O programa conta uma história de duas amigas, que o tempo, a distância, a vida, fez com que se afastassem, esquecendo-se uma da outra. São amigas esquecidas. Um dia, decidem, simultaneamente, sem a outra saber, escrever/cantar uma carta uma à outra. Escrevem/cantam enquanto se deparam com os sentimentos que a distância criou. As amigas são abaladas pela tristeza, pela saudade e pelo amor. Desejam aproximar-se, no entanto, na própria escrita da carta, apercebem-se também de quão a vida as levou para diferentes lugares. Já não são as mesmas pessoas.
Esta obra, para dois sopranos e baixo-contínuo, foi composta por François Couperin, em 1714, para a liturgia da Semana Santa na Abadia Real de Longchamp. Couperin escreveu Leçons para quarta, quinta e sexta-feira santas, no entanto, apenas a de quarta-feira resistiu ao tempo. As Leçons de Ténèbres usam o texto em latim do livro de lamentações do Antigo Testamento, em que o profeta Jeremias lamenta a destruição de Jerusalém pelos Babilónios (587 a.C.), apelando, alegoricamente, ao sofrimento dos três dias entre a crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo. Cada verso latino é precedido por uma inicial do alfabeto hebraico, que, num longo melisma, dá início a cada secção musical.